transferee cor

transferee cor
Marcia Maia
(vulgata: helium magellanicum olivam)

senex lassulæ, vellem transferee cor.
Sed, utinam a cactus.
lenis Cactus, et folia pauca spinæ crassitudine.
Feci igitur cum aliqua timoris.

Iam prope a annum, fiunt bene, et cor meum Cactus.
Veteris hereditaria habitus de amandi iam moderatior.
Et cacti, si flere, non sanguinem fundunt,
Cum fuerit in spinas et nocere me,
aliquando, cumque nostalgia venit ad pectus.


o transplante
Marcia Maia

Por velho e cansado, desejei transplantar-me o coração.
Em seu lugar, poria um cacto.
Um tenro cacto, de folhas espessas e raros espinhos.
Assim o fiz, não sem uma pitada de receio.

Agora, quase um ano depois, nos damos bem, eu e o meu coração-cacto.
Do antigo, herdou o vício de amar, bem mais contido.
E por ser cacto, se acaso chora, não sangra,
embora tenham seus espinhos crescido e me firam,
vez por outra, quando abriga-se a saudade em meu peito.