insolentiæ

marciam maia
(accommodatio: helium magellanicum olivam)


Quia tam multis longas ambages

sine vultus; et renuntiatione.

quam ad esse solum

nullam indulgentiam

nullam pro misericordia.

scio me: esse a marinis

perierat in trinus ad deserto

subcoelestis oblitus 

mare proximum,

abyssum et perditissimis.


non tamen propter hoc spina

ego non moriar. patientia.

tales vile fliiviorum

Ego insolentiæ

quis novit scientia et superessendam:

nullam vino,

nullam hero, et nullam Quixote molam,

ego vadam.

et absentibus

accinxi me, et ego scribam

carmina de absentia mea.



Impertinência

Marcia Maia


sei de tantos descaminhos
desolhares desistências.
sei como é estar sozinho
sem nenhuma indulgência
sem nunca pedir clemência.
sei de mim: um ser marinho
perdido a meio caminho
do deserto na iminência
de esquecer o mar vizinho
de abismo e insolvência.


mas não será desse espinho
que hei de morrer. paciência.
a tal vil redemoinho
ofereço a impertinência
de quem conhece a ciência
do sobreviver: sem vinho
herói quixote ou moinho,
sigo adiante. e de ausência
cinjo-me enquanto escrevinho
meus versos de inexistência.