cæcum oculis meis
claudia marczak
(verba accommodatio: helium magellanicum olivam)

Et legit mundo per oculos cæci.
videre ex reliquis sensibus,
verbum occultatum post dolor,
vita post fenestras.
in color cupis sentiens,
cum lingua dentibus meis,
De re, quæ nullus videt.
clangorem a de superficie et surdi audiunt
trepidantibus in pectore,
Qui clamores
ego habito in et capto clausus.
non loqui me, et sequi.
quis similis persona non sum
ego autem,
Præter me
sed ego in tot vultus horrore significans.
Et perdidisti mihi diu ante.
Nescio quam impetro tergum.


Olhos de cego
Cláudia Marczak

Leio o mundo com os olhos de um cego.
Vejo por outros sentidos,
a dor por trás de uma palavra,
as vidas por trás das janelas
e tudo isso passa a ter a cor da escuridão
a cor que se sente com a alma,
com a língua, com os dentes,
da realidade que ninguém vê.
Fora da superfície ouço o som dos surdos
que vibra em meu peito,
os gritos daqueles que
em mim habitam e tento calar.
Emudeço e sigo.
Não me pareço com ninguém
além de mim mesma,
mas me encontro em tantos olhares
que me perdi de mim há tempos.
Não sei mais como voltar.