In turbine
Antero de Quental
Babylon Ex Regum Proelio
(vulgata: helium olivam)

Visione somniorum meorum, in pompam,
Spectris de cogitationes meæ,
Quasi duci a manus ventis
raptus est in ingens turbine ...
Spiralem de mirum contorsiones,
ex ululant, et clamoribus,
illis in opaca cœtus,
ego videbunt facies eorum ...
- spectrum me et anima mea,
Ut spectent cum summa tranquillitate consecuta,
In unda, turbidus et in tumultu,
Unde estis, fratres mei, sævientium?
Quis tu es miser et horrenda visis concitare?
Heu! heu! ... Ego sum, et ?!


A Voz do Amor
Antero de Quental
A Jaime Batalha Reis

No meu sonho desfilam as visões,
Espectros dos meus próprios pensamentos,
Como um bando levado pelos ventos,
arrebatado em vastos turbilhões...
Num espiral, de estranhas contorções,
E donde saem gritos e lamentos,
Vejo-os passar, em grupos nevoentos,
Distingo-lhes, a espaços, as feições...
– Fantasmas de mim mesmo e da minha alma,
Que me fitais com formidável calma,
Levados na onda turva do escarcéu,
Quem sois vós, meus irmãos e meus algozes?
Quem sois, visões misérrimas e atrozes?
Ai de mim! ai de mim! e quem sou eu?!...