In oculis meis ...
claudia marczak
(verba accommodatio: helium magellanicum olivam)

In oculis meis
esse in amaritudinem
pallebant, inutilis.
Ut hirundo per clamorem arida.
avertam oculos quia non intelligis,
vita non intellego,
quod enim operor non intellego.
scio dolorem manet in æternum,
tem solitudo, quæ sequitur vestigia mea
sequuntur vias.
Est vivum vulnere
quia non sana.
sunt plures circum me obumbratio
ludens pati.
dolor absque fertilitatem plurimum iuvat.
ibi ubertatem dolor
de sanguine qui in venis fluit
et carmina scribo, noxium incesse caput.
luceat lumen est quodam loco quis dicens
ulla iter.
quis scit: omnia transiet,
vel per transitum vitæ.


Dentro dos meus olhos...
Cláudia Marczak

Dentro dos meus olhos
existe uma angústia
pálida e inútil.
Engulo um grito seco.
Fecho os olhos e não me entendo,
não entendo a vida,
não entendo nada.
Só sei da dor que nunca passa,
da solidão que acompanha meus passos
e segue meus caminhos.
É uma ferida viva
que jamais irá curar.
Há muitas sombras em minha volta
que brincam de sofrer.
O sofrimento é fértil.
Tem a fertilidade da dor,
do sangue que corre em minhas veias
e das linhas que escrevo às cegas.
A luz deve brilhar em algum lugar,
em alguma estrada.
Quem sabe tudo passa,
ou pelo menos a vida passe por mim.