Canticulum spei nactos
carolus albertus assisiensis cavalcantem
in: aliquot carminibus
(accommodatio: helium magellanicum olivam)

In tenebris aurora solis
puer latebat in pulverem tuum
deserta ædificio. instantiarum clandestinarum:
bacchata per pharmacum, et mirabilia ejus.

commendaticias non audit et nihil curo
quid ille itis reservatis.
Noli metuere quod tibi deest umbræ
igitur extrema vita viator.

nec cognoscit qui non rectus,
vitæ tamquam stupra; amitteret versus
præter miseram animam quæ valet denarium.

quod lumen apparere ad eum
non lucerna moribundum videre,
sed cuniculum fine lumine.

Soneto esperançoso
Carlos Alberto de Assis Cavalcanti
in: Poemas (di)versos

Na penumbra do sol crepusculino,
um menino se esconde nos escombros
de um prédio abandonado. Clandestino,
delira em meio à cola e seus assombros.

Não ouve mais conselhos e dá de ombros
quanto ao que lhe reserva seu destino.
Não teme que lhe faltem os ensombros,
pois, à margem da vida, é peregrino.

Nem percebe que já não tem mais prumo,
que a vida, em parafuso, perde o rumo,
que a mísera existência valha um níquel.

Que uma luz se lhe acenda neste mundo
que não seja uma vela ao moribundo,
mas que seja uma luz no fim do túnel.